Audiência Pública apresenta balanço financeiro do 3º quadrimestre de 2024 em São Sebastião do Paraíso

Audiência Pública apresenta balanço financeiro do 3º quadrimestre de 2024 em São Sebastião do Paraíso

Na oportunidade, a Câmara recebeu o projeto do Plano de Cargos e Carreira da Guarda Municipal

A Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso realizou, no dia 26 de fevereiro, às 19h, a Audiência Pública de Prestação de Contas do 3º Quadrimestre de 2024, cumprindo a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Durante a audiência, foram apresentados os dados financeiros do município, incluindo arrecadação, despesas e investimentos realizados nos últimos quatro meses do ano.

Cenário Financeiro e Impactos no Orçamento

O prefeito destacou que, apesar de uma arrecadação de R$ 432,5 milhões em 2024, 91,06% da previsão orçamentária, algumas receitas ficaram abaixo do esperado, como IPTU, multas e juros da dívida ativa, o que impacta diretamente no planejamento de 2025. Além disso, a necessidade de cobrir déficits do Fundeb exigiu que a Prefeitura arcasse com R$ 680 mil mensais para complementar os repasses federais, totalizando cerca de R$ 8 milhões ao ano. 

A vereadora Cidinha Cerize demonstrou preocupação com a redução dos repasses federais e estaduais para os municípios, destacando os desafios que isso impõe à administração pública.

“Eu até conversava com o prefeito Marcelo antes do início da audiência sobre a preocupação com a queda das receitas. Alguns serviços que poderiam ser entregues e planejamentos que foram feitos acabam não acontecendo. Quando vemos o governo federal diminuindo o repasse para a saúde e para o município, isso é muito preocupante”, afirmou.

Cidinha ressaltou que a Associação Mineira de Municípios (AMM) e a Associação Brasileira de Municípios (ABM) têm buscado estratégias para lidar com essa realidade e questionou o prefeito sobre quais soluções estão sendo discutidas.

Em resposta, o prefeito Marcelo Morais pontuou que a redução dos repasses não ocorre apenas no âmbito federal, mas também no estadual, e alertou que, embora a gestão tenha conseguido manter a máquina equilibrada até o momento, cortes em serviços públicos não estão descartados caso o cenário fiscal se agrave.

“O que pesa são os valores que temos de portas abertas e que, consequentemente, não podemos simplesmente fechar. Até agora, não houve necessidade de cortar serviços, mas se a arrecadação continuar em queda, essa possibilidade precisará ser considerada”, explicou o prefeito.

A preocupação com a sustentabilidade financeira da administração municipal se soma aos desafios de manter a prestação de serviços essenciais, como saúde e educação, dentro de um orçamento cada vez mais pressionado.

A vereadora Laís Carvalho trouxe questionamentos sobre o planejamento financeiro do município para os próximos anos, destacando a necessidade de equilibrar a dívida pública com as demandas crescentes da administração. Ela ressaltou que, mesmo com a previsão de redução gradual da dívida consolidada, o município enfrenta desafios significativos, como o impacto do reajuste salarial dos servidores, promoções e novas despesas obrigatórias.

“A expectativa é de que a dívida fundada chegue a R$ 14 milhões e a dívida flutuante a R$ 8 milhões, com uma projeção de redução de R$ 2,5 milhões ao ano. Porém, ao mesmo tempo, há desafios como o reajuste de 5% do IPCA, que gera um impacto mensal de mais de R$ 600 mil, além das promoções dos servidores públicos, que representam um custo adicional de aproximadamente R$ 4 milhões a R$ 5 milhões por ano. Diante desse cenário, como a administração pretende equilibrar as contas sem comprometer serviços essenciais? ” questionou Laís.

Em resposta, o prefeito Marcelo Morais explicou que a gestão tem mantido um controle rigoroso das despesas e que a expectativa para os próximos anos é alcançar um equilíbrio fiscal sustentável.

“Quando projetamos a receita, consideramos um crescimento estimado do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), mas a realidade do mercado pode nos forçar a reavaliar essas previsões. No orçamento deste ano, estimamos R$ 85 milhões de FPM, aplicando 4% da inflação, o que nos levaria a R$ 89 milhões. No entanto, na prática, arrecadamos R$ 73 milhões. Nossa expectativa é que esse valor cresça 10% e chegue a R$ 80 milhões, mas ainda assim, há incertezas”, explicou.

O prefeito destacou que, para manter o equilíbrio fiscal, a administração divide o ano em quadrimestres para acompanhar de perto a evolução das receitas e despesas. Ele mencionou que algumas medidas poderão ser adotadas, se necessário, como o controle rigoroso de novas despesas e a otimização do uso dos recursos disponíveis.

“Hoje, não temos condições de planejar novos investimentos sem garantir que a receita necessária para os cobrir esteja assegurada. Qualquer novo gasto precisa ser compensado por um aumento de arrecadação ou uma redução em outras áreas. Um exemplo foi a execução da Estrada da Guardinha, que só foi possível porque recebemos R$ 5 milhões da Vale. Se esse recurso não tivesse sido disponibilizado, essa obra não teria saído do papel”, explicou Marcelo.

Ele também ressaltou que a gestão conseguiu quitar todas as dívidas herdadas de administrações anteriores, totalizando aproximadamente R$ 36 milhões pagos nos últimos três anos. Isso, segundo ele, permitirá que a prefeitura direcione mais recursos para serviços e investimentos sem comprometer a estabilidade financeira.

“Estamos saindo de uma realidade em que, nos primeiros anos de gestão, precisávamos pagar quase R$ 1 milhão por mês em dívidas antigas. Agora, esse valor pode ser investido diretamente na cidade. O planejamento é manter as despesas controladas para que, até 2026, a administração tenha um fôlego maior e consiga destinar mais recursos a áreas prioritárias, como saúde, educação e infraestrutura”, concluiu o prefeito.

Repasse à Santa Casa e incentivos na saúde

O presidente da Câmara, Lisandro Monteiro, questionou sobre o repasse de recursos à Santa Casa e os incentivos municipais para o setor de saúde, como o programa SUS Fácil, que busca otimizar a fila de espera de pacientes.

Marcelo Morais explicou que há critérios de desempenho para que a Santa Casa receba recursos adicionais do município.

Lisandro Monteiro reforçou a necessidade de aprimorar a gestão da saúde pública e garantir que os recursos sejam aplicados de forma eficiente, sem prejuízos para a população. 

Desperdício na Saúde: 30% das Consultas ficam vagas e exames urgentes são “abandonados”

O prefeito Marcelo Morais chamou atenção para o desperdício de recursos na saúde, devido à alta taxa de pacientes que não comparecem às consultas agendadas. Segundo ele, cerca de 30% das consultas marcadas não são realizadas, e as vagas não conseguem ser preenchidas de última hora.

“Se um profissional tem 20 consultas marcadas e apenas 14 pacientes comparecem, ele recebe pelas 20, mas seis pessoas deixam de ser atendidas. Isso gera um impacto direto na saúde pública”, afirmou.

Outro problema destacado foi o grande número de exames urgentes que não são retirados pelos pacientes. “É dinheiro público sendo gasto e desperdiçado”, ressaltou o prefeito, que disponibilizou aos vereadores acesso às informações sobre esses atendimentos.

Câmara recebe Projeto de Lei do Plano de Cargos e Carreira da Guarda Municipal

Além do balanço financeiro, a audiência pública marcou a entrega oficial do Projeto de Lei do Plano de Cargos e Carreira da Guarda Municipal, um marco para a categoria. O prefeito Marcelo Morais entregou o documento ao presidente da Câmara, Lisandro Monteiro, ressaltando que a proposta era uma demanda histórica e foi construída com ampla participação da comissão responsável. 

“Com esse plano de carreira da Guarda, eu cumpro rigorosamente tudo o que combinei com os servidores municipais. Fizemos todos os estudos necessários e, agora, ele está oficialmente protocolado para análise dos vereadores”, afirmou o prefeito. 

A proposta foi celebrada por vereadores que acompanharam de perto as tratativas. O vereador Roney Vilaça destacou o avanço que o plano representa para os agentes de segurança: 

“Em 2006, eu entrei na Guarda Municipal. Nós tínhamos um estatuto que perdurou até agora, totalmente obsoleto, não estava condizente mais com a legislação federal, com as atribuições da Guarda Municipal. Hoje em dia, nesse mundo moderno, a guarda já não é mais patrimônio público, a guarda é segurança pública.”

A vereadora Daiane Andrade pontuou o papel do sindicato na articulação do projeto e a importância da Lei Federal 13.022/2014, que estabelece o Estatuto Geral das Guardas Municipais. 

“Essa luta não é apenas sobre a parte financeira, mas sobre a valorização de toda a categoria. O estatuto da Guarda finalmente será recepcionado pelo município, garantindo avanços significativos. Foram dez anos de luta para garantir a valorização da Guarda Municipal. Agora, temos a oportunidade de transformar essa conquista em realidade, dando um grande passo na estruturação da segurança pública do município. ” 

O projeto segue para tramitação na Câmara Municipal, onde será analisado pelas comissões competentes antes de ser colocado em votação. 

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