
A prevenção às queimadas foi tema da sessão ordinária da Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso, realizada na segunda-feira (23). A reunião contou com a participação do cabo Guilherme Tassin, do Corpo de Bombeiros, que utilizou a Tribuna Livre a convite do vereador Bijuliano Reis (Biju) para apresentar um panorama da atuação da corporação e reforçar a importância de ações preventivas contra incêndios urbanos e rurais.
O debate ocorreu no mesmo dia em que os vereadores aprovaram, em primeira votação, o Projeto de Lei nº 5.737/2025, de autoria de Biju, que estabelece diretrizes para a prevenção e mitigação de incêndios em áreas institucionais. O texto prevê ações educativas, limpeza de terrenos públicos com remoção de lixo e entulho, e a implantação de aceiros — faixas de solo nu que impedem a propagação do fogo. A proposta será analisada em segunda votação na última sessão do primeiro período legislativo, no próxmo dia 30 de junho.
Durante sua fala, o cabo Guilherme destacou o dia 24 de agosto de 2024 como um dos mais críticos já enfrentados pela unidade local, com 19 ocorrências simultâneas envolvendo risco direto a residências, lavouras, empresas e rodovias. “Foi um cenário sem precedentes. Tivemos que priorizar casos em que havia vidas em risco. Esse é o retrato do que enfrentamos todos os anos nesse período de estiagem”, relatou.
Segundo ele, o Corpo de Bombeiros de Paraíso conta atualmente com 25 militares para atender seis municípios e uma área superior a 2.500 km², o que inclui zonas urbanas, rurais e rodovias estaduais. “Temos uma viatura de combate a incêndios — moderna, mas com pouca capacidade de água e dificuldades para operar em terrenos acidentados. Por isso, o apoio de caminhões-pipa e ações preventivas são fundamentais.”
Guilherme também apresentou dados que apontam os bairros com maior incidência de queimadas em Paraíso: Califórnia Garden, Belvedere, Alto Paraíso, Village e as áreas verdes, além de margens de rodovias, onde a fumaça compromete a visibilidade e a segurança de motoristas. Ele alertou para a prática comum de atear fogo em lotes baldios, com a intenção de afastar animais peçonhentos. “Na verdade, o que acontece é o oposto: o fogo espanta os animais direto para dentro das casas. Além disso, a fumaça adoece a população e agrava os atendimentos no sistema de saúde”, afirmou.
O presidente da Câmara, Lisandro Monteiro, reforçou a gravidade da situação e a importância da mobilização institucional. “Com apenas um caminhão de combate e um efetivo tão reduzido, fica evidente que precisamos agir preventivamente. O Legislativo tem o dever de propor soluções e cobrar estrutura”, declarou.
O autor do projeto, vereador Biju, agradeceu a parceria dos bombeiros e ressaltou que a proposta legislativa foi construída com base no diálogo técnico. “Em 2023, conseguimos reduzir em 40% os focos de incêndio com ações educativas e a força-tarefa entre o Legislativo, a Secretaria de Meio Ambiente e o Corpo de Bombeiros. Agora, queremos ampliar esse trabalho com base em lei e chegar ainda mais longe.”
Durante sua fala, o cabo Guilherme também destacou a importância do envolvimento da Guarda Civil Municipal nas ações de prevenção e repressão às queimadas. Ele defendeu que a GCM, por possuir status de polícia e estar mais próxima das ocorrências em tempo real, pode atuar diretamente na identificação de incendiários e no flagrante de crimes ambientais. O militar elogiou o uso de drones pela guarda em fiscalizações recentes e reforçou que, ao contrário dos bombeiros — que geralmente são acionados quando o fogo já está instalado —, a Guarda pode atuar de forma preventiva, coibindo a prática antes que os danos se tornem irreversíveis.
Os vereadores presentes também reforçaram a importância do tema e manifestaram apoio às ações de prevenção. Houve destaque para a necessidade de reforço na estrutura do Corpo de Bombeiros, com sugestões de envio de ofícios solicitando novas viaturas, especialmente para áreas de difícil acesso, além de reconhecimento ao trabalho desenvolvido pela corporação mesmo diante da limitação de efetivo e equipamentos. Também foi lembrada a importância do Legislativo em promover homenagens e manter o diálogo aberto com as instituições de segurança e emergência do município.
Como desdobramento do debate e do avanço do projeto de lei, a Câmara lançou na terça-feira (24) uma campanha educativa, com veiculação de peças nas emissoras de TV e rádio locais, jornais impressos e redes sociais. A iniciativa tem o objetivo de conscientizar a população sobre os riscos das queimadas, as penalidades previstas e os canais de denúncia.
“Fogo é igual à doença: custa caro, congestiona os serviços públicos e pode ser evitado com informação, fiscalização e ação conjunta”, finalizou o cabo Guilherme.
