
A Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso debateu, durante a sessão ordinária desta segunda-feira (29), os impactos da implantação do Centro de Operações de Regulação do Estado (CORE), novo sistema de regulação de pacientes do Governo de Minas Gerais.
O tema foi levado ao plenário pelo presidente da Câmara, Lisandro José Monteiro, que abriu a discussão apresentando uma indicação em nome do Poder Legislativo. Em sua fala, o presidente manifestou preocupação com os impactos do novo sistema na rede pública de saúde e solicita providências ao Governo de Minas Gerais diante das dificuldades enfrentadas pelos municípios.
Ao justificar a iniciativa, Lisandro destacou o aumento das reclamações relacionadas à demora na regulação de pacientes, defendeu que a saúde deve ser prioridade absoluta e afirmou que a Câmara continuará acompanhando o tema até que sejam encontradas soluções efetivas.
Durante o debate, vereadores relataram aumento no tempo de espera para transferências hospitalares, dificuldades de comunicação com a central estadual e encaminhamentos de pacientes para municípios que não possuem os serviços de referência necessários, situação que, segundo os parlamentares, tem causado prejuízos aos pacientes, às equipes de saúde e à rede municipal.
O presidente também informou que vereadores de São Sebastião do Paraíso participarão, nesta quarta-feira, 01.07, de uma reunião em Passos com o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, além de prefeitos e lideranças regionais, para discutir os problemas enfrentados pelos municípios após a implantação do CORE.
A vereadora Cidinha Cerize, que atua na área da saúde, apresentou um panorama técnico sobre o funcionamento do CORE. Segundo ela, pacientes que antes eram regulados em poucas horas agora permanecem por mais de 20 horas aguardando transferência. Também relatou dificuldades de acesso ao sistema, demora na análise das solicitações, encaminhamentos para cidades sem referência no atendimento e aumento dos custos para o município, que passou a manter pacientes por mais tempo nas unidades de saúde.
O vereador Tomás Martins lembrou que o assunto também vem sendo debatido na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e defendeu a mobilização dos parlamentares estaduais para pressionar o Governo de Minas a rever o modelo de regulação atualmente adotado.
Na mesma linha, o vereador Luiz Benedito de Paula criticou a centralização da regulação em Belo Horizonte e afirmou que o modelo regional anteriormente utilizado apresentava respostas mais rápidas para os municípios da região.
O vereador Roney Vilaça destacou que os parlamentares têm recebido inúmeras reclamações da população sobre a demora nas transferências e afirmou que gestores municipais enfrentam dificuldades até mesmo para manter contato com a central estadual de regulação.
Complementando as discussões, a vereadora Cidinha Cerize ressaltou que o funcionamento do CORE depende da integração com a plataforma GOV.BR, situação que também tem gerado dificuldades operacionais para os profissionais da saúde, especialmente em casos de urgência e no atendimento neonatal.
Já o vereador Marcos Antônio Vitorino chamou atenção para os reflexos da demora nas transferências sobre a estrutura da rede municipal. Segundo ele, além da permanência prolongada dos pacientes nas unidades de saúde, muitas remoções exigem o deslocamento de equipes completas da UPA para outros municípios, reduzindo temporariamente a capacidade de atendimento local.
Durante a sessão, também foi anunciada a elaboração de uma Nota de Repúdio,a pedido do vereador Marcão, direcionada ao Governo de Minas Gerais, manifestando a preocupação do Legislativo com os impactos provocados pela implantação do CORE e solicitando providências para garantir maior eficiência no processo de regulação.
Ao final dos debates, os vereadores reafirmaram o compromisso de acompanhar o tema junto aos municípios da região e defender medidas que assegurem mais agilidade, segurança e qualidade no atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde.